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O nascimento do Fusca: como um militar inglês criou a Volkswagen após o fim da Guerra

Em outubro do ano passado, vimos quais previsões para 2015 mostradas no filme “De Volta Para o Futuro II” estavam certas e quais estavam erradas, e entre as certeiras estava um Fusca vermelho, que aparece em alguns flashes na tela, na Hill Valley de 2015.

Na verdade, todos que viveram no século 20 sonharam ainda que por um instante com os carros voadores e tudo mais, mas ninguém imaginou que os Fuscas estariam por aí, entre carros semi-autônomos, carregados de eletrônica e sofisticação. Afinal, quem poderia dizer que um carro cuja produção iniciou há exatos 70 anos permaneceria tanto tempo nas ruas de todo o planeta?

Sim: o Fusca é, na prática, o KdF-Wagen idealizado por Ferdinand Porsche sob encomenda de Adolf Hitler, que pretendia motorizar a Alemanha com um carro barato e que atendesse às necessidades das famílias do país, na época. Ele foi realmente apresentado em 1938 e, por isso, costuma-se dizer que esta é a data oficial de nascimento do besouro.

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Logo em seguida, o governo alemão, mais exatamente a Kraft durch Freude — um órgão político que controlava as atividades de lazer dos trabalhadores alemães (algo como os órgãos de serviço social da indústria, porém estatal) — construiu uma fábrica que produziria os carros próximo a Fallersleben. Nos arredores da fábrica, em uma região conhecida pelo antigo Castelo de Wolfsburg, foi criada uma cidade planejada para abrigar os operários da KdF, batizada Stadt des KdF-Wagen bei Fallersleben (cidade da KdF-Wagen em Fallersleben).

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O problema é que a fábrica foi concluída pouco antes da Segunda Guerra, e quando o conflito finalmente estourou em 1939, em vez de fazer carros populares para os 340.000 alemães que depositaram seus pagamentos semanais de cinco marcos, a fábrica começou a produzir veículos militares para a Guerra. Entre 1939 e 1945 a fábrica produziu somente o Kübelwagen (abaixo), o Schwimmwagen e o Kommandeurwagen — três modelos militares derivados do projeto do Fusca, ou melhor, do KdF-Wagen.

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O que aconteceu neste período todos nós aprendemos nas aulas de história: Hitler, Mussolini e os japoneses se deram mal, os americanos, os soviéticos e os britânicos se deram bem. Após a rendição da Alemanha, os aliados mantiveram sua ocupação no país para o processo de reconstrução, desmanche da indústria bélica e realocação do território polonês anexado por Hitler.

Entre as fábricas de máquinas de guerra estava esta fábrica da KdF. Em 1945, o major Ivan Hirst, do corpo militar de engenheiros eletricistas e mecânicos do Exército Britânico (Corps of Royal Electrical and Mechanical Engineers), foi encarregado de ir até a região junto com o coronel Charles Radclyffe verificar se havia restado algo da fábrica a ser recuperado. Àquela altura, a cidade já havia sido rebatizada com o nome do castelo: Wolfsburg.

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Ivan Hirst é o da direita

Durante a Guerra, a fábrica havia sido bombardeada três vezes, e por isso ela já não tinha mais janelas e os porões estavam inundados. O maquinário, contudo, estava intacto, pois boa parte havia sido escondida em galpões afastados da vila dos trabalhadores. A ideia inicial era desmanchar a fábrica e levar o maquinário para a Inglaterra como reparação de guerra, mas durante missão, Hirst também encontrou um protótipo do KdF-Wagen, e percebeu que havia material e maquinário suficientes para começar a produção do carro.

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Ele reportou a seus superiores as condições encontradas em Wolfsburg, e diante da notícia, a cúpula do Royal Army ordenou a produção de 20.000 unidades para uso das forças aliadas de ocupação. Hirst então reconstruiu o telhado da fábrica usando galhos, troncos e lona, e em 27 de dezembro de 1945, começou a produzir os carros na fábrica de Wolfsburg com a força de trabalho de 6.000 operários alemães.

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Estes foram os primeiros Fuscas produzidos em série na história — muitos deles foram construídos com peças do Kübelwagen até 1946, quando a fábrica já produzia 1.000 carros por mês, ou mais de 30 por dia e foi rebatizada como Volkswagen.

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Hirst ao volante do 1.000º Volkswagen

Hirst se manteve à frente da fábrica até 1949. Àquela altura a Volkswagen já tinha também uma rede de concessionários e exportava seu carro para diversos países — incluindo a Inglaterra e, mais tarde, os EUA.

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Chegada do Fusca aos EUA, em 1955

O Fusca acabou se tornando um sucesso mundial e um dos maiores símbolos da indústria alemã, e foi produzido por 58 anos até 2003, quando a última unidade do “Vocho” foi produzida em Puebla, no México. Mas você ainda pode encontrá-lo por aí, circulando bravamente como se o tempo não tivesse passado para ele.

 

Fote: http://www.flatout.com.br/o-nascimento-do-fusca-como-um-militar-ingles-criou-a-volkswagen-apos-o-fim-da-guerra/

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